domingo, 13 de março de 2016

A fazenda

O Brasil é uma grande fazenda
A política é um animal atroz
O povo é o gado pastando,
O Estado é o predador feroz

Com o poder da palavra
Os lobos mostram-se mansos
Vendendo sonhos e planos
Prometendo paz e remanso

O gado sempre alheio
Aos lobos que estão à espreita
Pra facilitar o abate
Criaram a esquerda e a direita

A alcateia nunca descansa
Controlam a grama do pasto
Ficando com a maior parte
Num egoísmo nefasto

Ao gado restam as sobras
Que comem com alegria
E mesmo sendo oprimidos
Dançam de noite e de dia

E quando um boi se rebela
Os lobos nervosos atacam
Transformam o boi em bandido
E o gado de pronto acata

Quando o gado acorda
Os lobos são ardilosos
Criam diversão barata
Com shows espetaculosos

E se o gado insiste em gritar
E marchar em união
Os lobos logo intervêm
Causando grande confusão

Separam os bois em malhados
Pretos, brancos e pardos
Fazendo com que se esqueçam
Que são todos "um gado"

A cada dois anos o gado
Tem nas patas o poder
De livrar-se da alcateia
Mas parecem não querer

Os bois criticam os lobos
Mas há muito esqueceram
Que os lobos só estão lá
Porque eles os elegeram

E assim segue a fazenda
Com o seu pasto formoso
Aos bois sempre o resto
Depois de um trabalho afanoso

Aos lobos sempre o filé
Independente do "lado"
Que escolheram pra oprimir
O sempre inerte gado.



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